Os triglicérides de cadeia média (MCTs) foram introduzidos no mundo dos fisiculturistas em meados dos anos 80 por John Parillo. A idéia inicial de encontrar uma forma de gordura que se comporta-se de forma parecida como os carbohidratos gerou muito interesse no mundo dos “bodybuilders“.
Os MCts são gorduras sinteticamente produzidas a partir do óleo de coco, ao contrário dos outros triglicérides normais que tem de 16-20 carbonos , os MCTS tem apenas de 6-12 carbonos. Isto dá aos MCT’s diversas características originais , por exemplo, se comparados aos triglicérides normais , estes MCTs requerem menos sais de bile e enzimas pancreáticas para a digestão e por isso são absorvidos mais rapidamente no sistema portal , enquanto que as outras gorduras entram no sangue ao serem combinadas com as proteínas do sistema límbico, assim sendo as gorduras provenientes do sistema de lipoproteínas são quebradas, remontadas e mais facilmente armazenadas nas células gordurosas ( Ribeiro e Fahey , 1985 ).
Enquanto isso os MCTs são desmontados e entram no sistema sangüíneo como ácidos graxos livres (MCFFAs). Estes ficam inteiramente a disposição para o metabolismo hepático e muscular , contribuindo para a formação de glicogênio.
Somente 1-2% dos MCTs ingeridos transforman-se em gorduras no corpo( Geliebtre et al,1983).
O MCFFA é oxidado a Acetyl Coenzima a no fígado , esta pode ser metalizada ou usada fazer um ácido graxo livre de cadeia longa (LCFFA) que pode se unir a um glicerol para fazer um triglicéride longo e ser armazenado. Recordando que apenas 1-2% desses de MCTs serão convertidos em gorduras.
Para se resumir então:
LCTs ( triglicérides de cadeias longas): entram no sistema sangüíneo como triglicérides , são quebrados nos adipócitos e se alojam na células gordas e como triglicérides.
MCTs ( triglicérides de cadeias médias): entram no sangue como ácidos graxos livres onde são metabolizados pelo fígado ( somente 1-2% são usados para formar gordura).
A gordura dietética (LCTs) é armazenada mais facilmente como gordura corporal do que os carbohidratos.
Os carbohidratos tem que ser metabolizados a Acetyl Coenzima A , se juntar uma molécula de ácido graxo e uma de glicerol para formarem a gordura corporal e os triglicérides.
Desde que os MCTs são menos prováveis de serem armazenados em gorduras entrar mais rapidamente na corrente sanguínea( mais rapidamente do que a glicose) comportan-se mais como hidratos de carbonos doque como gorduras. Entretando os MCTs não estimulam a produção de insulina , mas os carbohidratos sim , fazendo com que estes se transformem mais facilmente em gorduras.
Para alguém que esta tentando perder gordura corporal , insulina é um inimigo. A insulina desliga a queima de gordura.
Para se reduzir essa insulina produzida pela consumo alto dos carbohidratos , o Dr. Barry Sears , popularizou a Dieta da Zona – The Zone Diet.
O Dr.Barry Sears relata e afirma que a superprodução de insulina esta ligada a obesidade , hiperlipidemia , colesterol elevado e as doenças do coração , além de outros problemas de saúde.
A solução proposta pelo Dr. Sears seria reduzir o consumo de carbohidratos a 40% do total de calorias, ao contrário dos 60-70% fornecido à alguns atletas. Ao diminuir a ingestão destes carbohidratos as gorduras seriam aumentadas a 30% do total das calorias totais.
Por parte os opositores a dieta da Zona , a elevação dos níveis de gorduras a 30% gerou muitas críticas sobre a dieta , por acharem que ao consumirem mais gorduras a probalidade de aumentar as células gordurosas seria um tanto maior também e que os problemas relacionados a insulina deveriam ser tratados apenas evitando o consumo de carbos simples.
Os MCTs podem ser usados para substituir a maioria das gorduras na Dieta da Zona. Lembrando-se que os MCTs são metabolizados como carbos não induzem a produção de insulina.
Uma dieta como a The Zone com MCTs além de ter baixa gordura também tem menos carbohidratos.Com isso há uma redução no armazenamento de gorduras e na liberação de insulina.
No passado os bodybuiliders usavam os MCTs com uma dieta de baixa gordura porém rica em carbohidratos. Esse era um erro porque a quantidade alta de carbos aumentava drasticamente a produção de insulina e consequentemente os estoques de gorduras.
A maneira correta de se usar os óleos de MCTs deve ser limitando o consumo de gorduras a 10% e associando os MCTs a 20% do total de calorias de gorduras. As gorduras saturadas devem ser minimizadas ao máximo.
Curiosamente , reduzindo a quantidade de gorduras normais por MCTs ,a porcentagem de carbohidratos aumenta se desconsiderarmos os MCTs como fonte gordura alimentar.Logo a Dieta da Zona associada aos MCTs , levam 40% carbos, 30% proteínas e 10% de gorduras provenientes de LCT.
Podemos concluir que a tradicional Dieta da Zona(40/30) fica mais eficaz se associada aos MCTs(40/30/10) + MCTs a 20%.
Os carbohidratos a 40% mantém os níveis baixos de insulina , mantendo a insulina sob controle.
Em casos de forte resistência a insulina , pode-se ainda manipular a dieta para 30% os carbohidratos, 30% proteínas e 40% gorduras totais( 20% gorduras normais + 20% MCTs).Ao reduzir os carbos minimiza-se as possibilidades da secreção de insulina e aumenta as gorduras total a 40% também as possibilidades da queda metabólica associadas a dietas “low-calorie”.
Devido a absorção muita rápida dos MCTs , relata-se por alguns adeptos desconforto gastrointestinal no começo.Logo se cria uma tolerância e o desconforto desaparece.
É recomendado que se comece com uma colher de sopa sempre com algum alimento e não com o estômago vazio.
O óleo de MCTs não deve ser usado para cozinhar , pois além de produzir um aroma muito indesejável as enzimas dos alimentos ao quebrarem-no produzem um típico sabor de sabão.
Recomendo usar no começo 5% de suas calorias de gordura na forma de MCTs e ir subindo gradativamente a medida que seu sistema gastrointestinal for se adaptando. Esses 5% geralmente são facilmente administrados com apenas1 ou 2 colheres de sobremesa.
Importante frisar que a quantidade de proteínas de se mantém estável em todos os processos de manipulação desta dieta, sendo a quantidade de 30% mínima necessária para manter o crescimento muscular.
Ribeiro e Fahey , Exercício Physiology , Lipid Metaboilism, Macmililan Publishimg Company , New York (1995)
Por: Luis Meirelles